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5.5.09

Lady Marmalade



mar.me.la.da, feminino

1. doce de marmelo cozido misturado com calda de açúcar;
2. geléia, doce;
3. (Portugal) troca de carícias, beijos e apalpadelas própria de enamorados:
....A marmelada era sempre uma preparação para fazerem amor.

.
- marmelada, marmelos e marmeleiros.

Foram os gregos quem primeiro lhe atribuíram um significado mitológico. Passaram a usar a flor do marmeleiro como símbolo sagrado da Deusa do Amor, Afrodite. O pedido de casamento fazia-se oferecendo um marmelo à noiva em vez dum anel de diamante como hoje... Muito mais barato! Do mesmo modo começou-se a tradição das noivas levarem no dia do casamento um ramo com a flor de marmeleiro, como símbolo da virgindade.

Além das flores, os marmelos propriamente ditos passaram a simbolizar os seios das donzelas e como estes são as partes do corpo da mulher mais atraentes para o homem, não foi preciso muito esforço para se generalizar a expressão romântica de "fazer amor ou fazer marmelada", quando o homem acaricia as partes erógenas (muito sensíveis) da mulher, incluindo os seios e os mamilos. *


* retirado dum texto na internet

5.4.09

domingo

Não tenho vontade de sair da cama. Já não consigo dormir mais, fechar mais os olhos e não pensar. Já não consigo não pensar mais.

A minha roupa foi deixada ao acaso no chão do quarto pelo cansaço e a pressa de não pensar mais. Quando acordei, hoje, senti, um leve cheiro dos sítios onde estive até de madrugada. Só. E a tua ausência voltou bruta e fria como da primeira vez, como se eu ainda não estivesse preparada para abrir os olhos e não contasse não ver-te. Abri as persianas e sentei-me na beira da cama à espera que a luz ocupasse o lugar dos meus medos. Este sítio não tem nada de teu. Só eu.

Deixei-me cair enviesada no edredão equacionando quem venceria a batalha do momento: a minha cama – talvez consiga voltar à letargia funesta do sono – ou a fome, que me incomoda mas não o bastante para, por si só, me fazer levantar. Vieste outra vez tu e a memória impertinente de ti a entrares noutro quarto deixando no meu colo o suborno que me obrigava a enfrentar as manhãs de domingo.

Sempre detestei os domingos, antes, durante e muito mais depois de ti. Desvio com o pé nu alguma roupa que esconde os meus chinelos. Enquanto procuro, antevejo a cozinha amontoada de chávenas sujas, de pacotes de bolachas vazios, copos de iogurte light que tombaram com o peso das colheres, pacotes de chá castanhos que murcharam com o frio, a planta que alguém da tua família me ofereceu, os cinzeiros a transbordar, papéis desordenados debaixo dos óculos de sol, um marcador solitário sobre a mesa que acolhe um prato cheio de migalhas e uma faca usada de manteiga – merda, esqueci-me de pôr a manteiga no frigorífico! Maços de cigarros vazios, maços de cigarros meio-cheios, maços de cigarros amarrotados. Se hoje não for às compras, penso, já não tenho mais nada para o pequeno-almoço de amanhã. Não me apetece nada ir às compras. Resisto a voltar para a cama e decido tomar um café. Queria tanto voltar a dormir!

Dou comigo a ordenar mentalmente todas as coisas que não me apetece fazer e como será menos penoso, finalmente, fazê-las. Vou começar por deitar fora o esparregado que congelaste há 3 meses, sobras de nós, os únicos restos que distraidamente ultrapassaram a distância quando nos separamos. Deve ser porque não há aqui roupa nem escovas de dentes, gillettes ou qualquer outra coisa do teu uso quotidiano e, por tudo o que já não há de teu à minha volta, se tenha tornado urgente eu querer desocupar o tupperware do esparregado. Detenho-me numa espetada de peixe congelada que não pode, jamais, ter sido uma escolha minha. Olho para o prazo de validade e entristeço-me ao reconhecer que o peixe-gato se conservará num futuro que nós não temos. Mas o peixe-gato traz-me outra ideia que quase me faz sorrir – não vai ser grelhado à pressa, numa qualquer sexta-feira em que chegas a minha casa num turbilhão de desordem, atrasado, à espera que eu discuta contigo por serem onze da noite e ainda quereres teimar em cozinhar. Bem-feito para o peixe-gato: não vai realizar o fim a que foi destinado!

Vou para a cama, outra vez! Não fui. Arrumei a cozinha. O quarto – já não fazia a cama há uns bons três dias. Praticamente não moro cá. Ainda tenho de fazer as compras. Também precisava de ti para me ajudares com as compras. Para não acordar sozinha, para não ter de me levantar e fazer o meu pequeno-almoço. Para não desperdiçar em casa os domingos de sol que começavam quase sempre com o teu telemóvel a anunciar o fim das sete horas a dormir abraçados.

Mais ou menos que acordo e vejo-nos em frente ao espelho do roupeiro, sentados na cama com as almofadas triangulares lado-a-lado. É domingo e dividimos o tabuleiro com as coisas que cada um de nós prefere comer. Inclino a cabeça para a deixar ficar no teu ombro e faço um registo desse minuto para que dure eternamente: “Vês como a vida nos dá momentos perfeitos? Esquecemo-nos tantas vezes de dar valor a um minuto de perfeita felicidade”. Tu concordas comigo e eu sinto que também me amaste durante este minuto. Afagas-me o cabelo com uma mão e com a outra desvias o pequeno-almoço que já não interessa. Apesar de termos voltado a adormecer ainda vamos a tempo de aproveitar o sol de domingo.

13.3.09

Room Service



Hoje, sou eu quem o/te irá Servir...
O que vai desejar?...

25.2.09

Grand Plié



Diz-me com quem danças esta noite, dir-te-ei o que é que te vai doer amanhã, ao acordar...
No meu caso, glúteos. E bíceps femoral (que eu nem me lembrava que existiam).
Mas também...quem é que me manda a mim dançar ballet em noite de samba?
Abusei dos plié: grand-plié, demi-plié...com piruetas pelo meio!
Por falar nisso...
Querida CY, tenho uma nova sugestão de inquérito (non)censos.

"Diz-me com quem é que sais da 'disco', dir-te-ei o que é que procuras"
-Com quem é que geralmente terminas a noite?:

*Dj (alguém que 'spin me round like a record')
*lj (acende-me os faróis e arranca!)
*Barman (alguém que te saiba escutar)
*Porteiro (who's knocking heaven´s door?)
*Segurança (que dê uma tareia aos teus 'ex')
*Caixa (que te vá dando uns descontos)
*Animador (fiesta!)
*Gerente (estabilidade financeira)
*Relações Públicas ("connections")
*Giraço que meteu conversa (que te surpreendam!)
*Sózinha (hum...)
*Taxista (só para dar umas curvas...ou não queres mesmo nada! ir sózinha para casa)

.
.
Outra curiosidade (este carnaval inspirou-me. obrigada(s) CY e N).
-"O que é que te faz cair abaixo da cama?":
.
*'Fazê-lo' numa cama de solteiro
*Uma sms picante a meio da noite
*Uma posição nova e dificil
*Sonhar que estás a cair (em tentação)
*Uma gargalhada inesperada
*...

1.12.08

15.10.08

quadrada, eu?



desculpa lá, mas não acho muita piada a que confundas a pessoa com quem QUERES ter sexo com quem DEVES ter sexo!

2.9.08


19.8.08

fotos das férias ;)





22.6.08

comunicado



a quem possa interessar:

informo toda a comunidade quequiana, blogsfera em geral, mundo e arredores que o meu contrato de seis meses de exclusividade de quecas expirou, ontem, dia mais longo do ano. por esse motivo, declaro que, de hoje em diante, apenas estarei disponível para quecasurbanas absolutamente descomprometidas e distanciadas de qualquer inclinação que vicie a ética da investigadora tendo em vista a publicação do desenvolvimento das conclusões científicas apuradas, neste blog. agradeço, antecipadamente a todos/as que colaborarem na prossecução deste objectivo.

obrigada.

5.6.08

Frágil: longe de E. Fromm e E. Levinas

Ultimamente dizia-lhe, muitas vezes, que o amava. Sem se preocupar com os referentes da palavra. Cada vez que se ouvia dizer-lhe que o amava tinha, apenas, a frágil certeza de que era o que, no momento, os sentidos do seu corpo confessassem à pele dele.

Ela já o tinha amado, há muito tempo atrás, esse amor convencional destituído de âncoras e cumplicidade profunda. Esse amor que toda a gente deseja de ter de alguém, dar a alguém e, tão, conceptualmente partilhável, tão convencional. Ainda que pela primeira vez estivesse, frágil, a partilhar a aspiração comum-universal sobre o amor. E sabia que era proibitivo dizer-lho, então, porque não se haviam nunca fundido num espaço correlativo: ele não sentia amor, convencional que fosse, por ela.

Por isso, despediu-se muitas vezes dele, todas as vezes que a razão lhe permitiu fazê-lo só para antecipar um fim natural e evitar que o tempo a radicasse cada vez mais a ele até ao dia em que, sabia, ele se iria embora. Teorizava a economia da dor que a ausência dele haveria de trazer. Mas, amava-o e ia regressando, fraca, frágil, àquele não-amor.

Finalmente, ele foi embora e a dor dela proporcional aos dias e às horas, aos telefonemas e às mensagens, às férias e às noites juntos. Quando ele a deixou ainda não tinha começado a desamá-lo, sequer – apenas tinha ideia que devia fazê-lo.

A única coisa que pensa, agora, quando fica sozinha depois de lhe dizer que o ama é que espera – sem certeza alguma - que não seja verdade. Por ela. Porque ela tivera uma trabalheira enorme em desamá-lo, finalmente. Porque despendeu tempo, energia, lágrimas e telemóveis e alguma loiça de casa que foi, de quando em quando, partido – observando os cacos de si espalhando-se das paredes para o chão.

Não lhe chateia a alma terem voltado. Mas fica fodida ao colocar a hipótese de que voltou a amá-lo. Ainda que seja o tal amor convencional, sem filosofia ou teleologia com que se ralar. O amor não vale nada, esse amor de jantarem juntos e irem ao cinema, de passearem na praia e se telefonarem todos os dias em que falam das urgências profissionais de cada um, preocupando-se genuinamente e apoiando-se mutuamente nos seus desaires quotidianos, esse amor de fornicarem e no fim trocarem a palavra “amo-te”. Mas têm o que toda a gente tem, teve ou terá e isso, pensa, já não é mau de todo.

Para onde quer que olhe e veja amor só vê esse amor convencional. Esse que é limitado pela cidade, pelos amigos, pela família, pelo transe. E ela sabe que nunca vai aceder a mais do que esse amor conheça ela quem conhecer. O que os torna frágeis é que ela nem sequer o quer amar convencionalmente. Mais frágeis do que os outros, mais sujeitos à desistência. Ela nunca mais o quer amar.

O amor convencional é matreiro: podemos amar duas vezes a mesma pessoa mas será que podemos desamá-la duas vezes, também? Todo o amor deste universo comum é demasiado frágil, demasiado pobre para se arriscar. Jura que não voltará a amá-lo.

Frágil é que ele possa viver com isso e até dizer que a ama também, na lastimável realidade de nunca virem a ser AMOR, de nunca conhecerem a ALTERIDADE – afinal, como toda a gente, como as pessoas que ele conhece, como as pessoas que ela conhece. A grande diferença entre o mundo dele e o dela é que se se aproximam na partilha de uma vivência convencional do amor, mas no mundo dela – re-conhecem-na bem - ninguém a chateia com isso ou a desafia como se ela fosse obrigada a dar explicações de tabuada a sujeitinhos e sujeitinhas, menicaquinhos, que concorrem ou pretendem concorrer a um altar, cheios de amor convencional, jurando a pés juntos que o que multiplicam entre si é o AMOR pelo OUTRO. O AMOR. Cortejos de máscaras que parecem o Carnaval de Veneza… e depois, ela, ela que parou para experimentar pensar sobre a universalidade das coisas é que recusa desnudar-se ontologicamente?

O Rosto livre, meu amor convencional, não se passeia entre travessas e copos de vinho branco e isso não se pode explicar enquanto se apaga um cigarro e se acende outro com ar inquiridor – para se responder sobre o Mundo, sobre o Amor ou sobre a Morte, sobre a Vida até, é fundamental que haja quem tenha disponibilidade para abarcar uma visão de Si inteiramente diferente daquela a que se habituou.

E é tão raro, digo-te e fundamento, encontrar alguém com coragem para, de repente, se ousar desconstruir, fragilizar-se. Quando me perguntam, meu amor convencional, eu sei, sei antecipadamente que não me perguntam porque querem saber a resposta – não há assim tantas pessoas preparadas para a resposta. E se eu, por ventura, for levada a responder terei de o fazer com verdade – eu Amo a Verdade, e irei chocar, provavelmente magoar, tentar perpassar moléculas de vasta indignação mas ninguém me ouvirá. Sobre mim levantar-se-á a negação intransigente da reacção – e francamente, não tenho paciência para plantar guindastes que do solo se levantaram mas ao solo não chegam.

A nós, acredita-me, bastar-nos-ia o amor convencional – esse que não podemos ter. O que basta a todos, e a que quase todos aspiram, o frágil amor convencional.

Um dia, ela foi-se embora dele.