(Michel Henry : A respeito da estátua de Condillac)
“a estátua passa a mão pelo seu próprio corpo: ela experimenta então uma sensação de solidez. Diferente das outras sensações que a estátua apercebe como as suas próprias modificações e em que ela ‘só a si se encontra’, a sensação de solidez confere-lhe a ideia de impenetrabilidade do corpo que ela toca, ela apercebe-se então como um corpo diferente(...) Quando a mão da estátua reencontra o seu próprio corpo, toca, por exemplo, o seu peito, a sensação de solidez que mão e peito ‘se reenviam mutuamente (...) põe-nos necessariamente uma fora do outro’. Entretanto, no exacto momento em que a estátua distingue o peito da sua mão ‘reencontra o seu eu num e noutra, porque ela se sente igualmente nos dois’(...) Suponhamos, agora, que a mão encontra um corpo estranho, o eu que habita a mão e se sente modificado na sensação que ela experimenta em contacto com um tal corpo, não se experiencia e não se encontra neste último, ele ‘não se sente modificado nele’(...)’o eu que se respondia deixa de se responder’(...) ‘ela toma conhecimento de um corpo diferente do seu’.”
26.4.08
Etiquetas: O Império dos Sentidos
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