2.6.08

Amedeo Modigliani (1884-1920)


O peculiar enquadramento corta a figura no meio das coxas e faz com que o seu corpo inunde toda a tela. Embora em certas ocasiões apareça na característica pose de “vénus púdica”, a modelo mostra-se, geralmente, numa atitude de abandono ausente que só faz aumentar a sua carga erótica. Uma carga que não passaria inadvertida à policia parisiense que fez retirar uma parte dos nus expostos na galeria Berthe Weill, onde, em Dezembro de 1917, Modigliani celebrava a sua primeira – e única – amostra individual. Mais do que a representação eloquente dos cabelos púbicos, cabe pensar que o que resultou intoleravelmente imoral para os diligentes funcionários foi a tranquila exibição de um corpo nu sem desculpas alegóricas nem eufemismos formais; coisa que, com um escândalo similar, tinha feito Manet com o seu Olimpia várias décadas antes.
Os quadros que se mostravam na montra da sala foram qualificados de imorais.

Acerca dos nus de Modigliani, disse Francis Carco, em 1919:

“A suavidade animal, em certas ocasiões imobilizada, os seus abandonos, a sua fraqueza feliz, não tinham conhecido até agora um pintor mais preocupado em traduzi-los”.

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