2.6.08

As Cariatides



A carreira de Modigliani foi uma longa reflexão sobre a figura humana. Excepto quatro paisagens pintadas, a imagem do homem foi o único motivo que mereceu a sua atenção.
Procurou o rosto universal (arquétipo), que fosse o resumo de todos os rostos humanos, desde sempre: um retrato não de alguém individual, tal como o vemos, mas o rosto da própria humanidade.
As Cariátides de Modigliani – das quais só realizou uma em pedra – tinham que ser “as colunas de ternura” de um utópico templo de beleza”, conforme a expressão do próprio artista. Um templo que, em palavras de Paul Guillaume, se levantaria “não em honra de Deus, mas em honra da humanidade, e que devia estar rematado por centenas de colunas”.

Perante a pergunta de Léopold Survage, admirado ao ver-se retratado com um olho normal e o outro com a órbita escura, Modigliani explicou:
“Com um olho vês o exterior e com o outro vês o teu interior”.

As órbitas enegrecidas representam uma visão introspectiva, a mesma que se descobre nas imagens do faraó Akhenatón ou do Auriga de delfos, que tanto atraíram Modigliani.

Com os olhos cosidos ele forçava a ver o mundo interior.

“Mesmo que estejas triste com olhos ávidos, olha a vida com olhos apaixonados. Com mãos ávidas, olha.”

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