Sem tempo não há amor.
O TEMPO DO DESEJO
O amor, e em geral todos os sentimentos positivos, para crescer e florescer necessitam da lentidão.(...)
É preciso tempo para escutar os desejos pessoais mas também os do outro.(...)
Para construir uma relação íntima, seja de amor ou de amizade, precisamos de paciência. É necessário saber esperar o momento certo, tolerar as crises inevitáveis e até saber escolher, depois de um litígio ou de um blackout das emoções, o momento oportuno para restabelecer os contactos. Ritmos lentos e delicados, que são sobretudo a base sobre a qual cresce a amizade. Porque o amor passional é rápido, desfaz o coração e os dias.(...) [Os diferentes sentimentos têm ritmos diferentes].
Como fazer “render” o amor? Como manter vivo o desejo no casal durante dez, vinte, trinta anos?(...)
Sem exagerar nas fórmulas mágicas, existem antídotos – ou pelo menos precauções – para evitar que o desejo se transforme num tédio mortal.
COMER ABRE O APETITE
Quando o desejo diminui, é necessário evitar fechar-se em si mesmo e não fugir de situações “de risco erótico”. Ou seja, é preciso recusar a apatia entre os lençóis e as enxaquecas nocturnas e deixar que o desejo siga o seu caminho, mesmo que o entusiasmo não esteja ao máximo. Muitos casais evitam assim enferrujar e regredir. É o efeito positivo da repetição que confirma o velho provérbio: “Comer abre o apetite”.
A ARTE DAS CARÍCIAS
Quando o desejo diminui, por vezes é preciso voltar ao prazer de se redescobrir, pele contra pele, sem ser forçosamente preciso fazer amor. O corpo é um mediador mágico da intimidade afectiva e física, parentes próximos da intimidade erótica. Em geral, nos casais “abafados”, é conveniente restabelecer uma comunicação corporal além de verbal, como prelúdio de uma boa comunicação erótica. Alguns exemplos? Massagens nos pés, carícias sem limite de tempo, cócegas, para entrar de novo numa sintonia táctil, que será o trampolim do desejo.
PRÓXIMOS MAS NÃO TANTO
Um grande segredo, e não apenas para o erotismo, é o de permanecer curioso pela vida, procurando manter espaços de autonomia e de paixão: uma terra de ninguém, fora dos limites conjugais. Para continuar a oxigenar a vida a dois e ver o outro sempre como uma pessoa a descobrir, um continente ainda não explorado de todo. Pode conseguir-se assim manter vivo, no interior do casal, os dois desejos lânguidos de que fala Roland Barthes, usando dois termos poéticos gregos; pòthos, o desejo do amado ausente, e bìmeros, mais ardente, o desejo do amado presente".
Willy Pasini, O amor e o tempo
2 comentários:
continuamos a ler tanto e a saber tão pouco...
tv seja preciso viver - no tempo. no tempo comum...
Eterna dificuldade de conjugar os verbos no singular...
Enviar um comentário