(...)como muitos estudiosos do sexo têm assinalado, as mulheres são melhores na cama.
Embora a duração total do orgasmo seja igual nas mulheres e nos homens, as primeiras grandes contracções musculares variam em número e duração. Inicialmente, os homens têm três ou quatro fortes contracções seguidas por uma série de outras mais pequenas e irregulares. As mulheres têm, a princípio, cinco ou seis sensações musculares intensas, e as contracções mantêm-se a um ritmo mais prolongado, prolongando a experiência. De facto, esta primeira fase do orgasmo, altamente satisfatória, dura apenas três a quatro segundos nos homens, mas cinco a seis segundos nas mulheres, ou seja, o dobro do tempo.
Os orgasmos das mulheres também se estendem a uma proporção maior de tecidos pélvicos. Muitas vezes, tornam-se mais intensos durante a gravidez e após o parto, momentos em que há um aumento das redes vasculares e da circulação sanguínea na zona pélvica.
Igualmente impressionante é o facto de as mulheres poderem ter uma sucessão rápida de vários orgasmos, algo de que só alguns homens são capazes. Algumas mulheres conseguem mesmo excitar-se até ao orgasmo sem se tocarem. Apenas um homem em cada mil consegue atingir um orgasmo apenas pensando. Embora a libido masculina seja definitivamente mais constante, a resposta sexual feminina é mais intensa.
Se os cientistas avaliassem o impulso sexual pela duração e intensidade do orgasmo e não pelo número de actos de masturbação ou o número de parceiros ao longo da vida, concluiriam que o impulso sexual das mulheres é, pelo menos, tão forte como o dos homens.
A sensualidade das mulheres
O erro de avaliação da libido feminina é ainda mais visível se a definição de actividade sexual for alargada à sensualidade. Num inquérito feito a 14 070 homens e mulheres pela rede informática Prodigy, 75% referiram que consideravam as mulheres mais sensuais do que os homens.
Flores, óleos, velas, lençóis de cetim, toalhas felpudas: quando as mulheres fantasiam sobre o sexo, evocam as texturas, os sons, os cheiros, toda a ambiência que rodeia o sexo, mais frequentemente do que os homens. As mulheres também gostam mais de beijar, abraçar, acariciar e de se aninhar. Em resumo, as mulheres colocam o acto sexual num contexto físico mais vasto.
As mulheres também rodeiam o sexo de um tecido emocional mais rico. Quando se pede aos maridos e às mulheres que descrevam o domínio sexual do seu casamento, as mulheres referem com maior frequência o bem-estar, a comunicação, o amor e a intimidade – o contexto emocional que rodeia o coito. Os homens falam do vigor, da excitação, da frequência e de outros aspectos do acto físico do coito.
Os cientistas e leigos que baseiam a sua definição de impulso sexual em aspectos como a frequência da masturbação e o número de parceiros estão a definir o desejo sexual segundo a perspectiva masculina. Estão a compartimentar o sexo e a ter dele uma visão restrita. Não admira que avaliem mal a sexualidade feminina.
A mulher distraída
As mulheres distraem-se muito mais frequentemente do que os homens. Se uma mulher ouve um bebé a chorar, se recorda alguma coisa que aconteceu no escritório, ou se tenta lembrar-se se apagou ou não o fogão, a sua concentração pode ser interrompida. Tem de voltar a focar a sua atenção e a reconstruir a sua excitação sexual. Os homens têm uma maior capacidade de manter a sua atenção presa ao sexo.
Esta diferença entre os sexos também é visível nas fêmeas de outras espécies. Por exemplo, se se for deixando cair algumas migalhas de queijo dentro do âmbito de visão periférica de um casal de ratos na cópula, a fêmea não deixa de olhar para o queijo, enquanto o macho continua a penetrá-la.
As mulheres tendem a assimilar muitos pensamentos diferentes ao mesmo tempo. Esta capacidade pode perturbar a sua concentração enquanto fazem amor.
Talvez tenha sido a própria natureza a querer que as mulheres fossem mais susceptíveis de se distraírem. O sexo é perigoso; interrompe o estado de vigilância. Em todas as espécies, os machos têm de esquecer a necessidade de estarem alerta e concentrar a sua atenção para atingirem o orgasmo e espalharem a sua semente. O óvulo da fêmea cai naturalmente para o útero; as mulheres não têm de se concentrar no orgasmo para conceberem. Nas noites de luar da antiga África, as mulheres, com a sua distracção, eram provavelmente as sentinelas do casal que copulava.
O Primeiro Sexo, Helen Fisher
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