Quem é acariciado não é, propriamente falando, tocado. Não é o aveludado ou a tepidez desta mão dada, no contacto, que a carícia procura. É a procura da carícia que constitui a sua essência, pelo facto de a carícia não saber o que procura. Este 'não saber', este desordenamento fundamental é-lhe essencial. É como um jogo com algo que se esconde e um jogo absolutamente sem projecto nem plano, não com aquilo que pode tornar-se nosso e nós, mas com qualquer coisa de outro, sempre outro, sempre inacessivel, sempre por chegar. E a carícia é a espera deste puro fruto, sem conteúdo.
Emmanuel Lévinas, Le Temps et l'Autre

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