18.4.09

dando razão a Kafka...



- …ele dizia que quando temos um objectivo, o caminho é apenas uma hesitação...

- isso retira obviamente peso ao caminho.
- por vezes, somos nós que lhe acrescentamos metros e mais metros... quando esse objectivo estava muito mais próximo. (…)
- há que acreditar em algo superior a ti.
- estou-te escutando ..........
- nem que seja num par de tetas (…)
Espero que não me leves a mal. Mas há algo que tenho que te perguntar. Se não o fizer, haverá sempre um fantasma a pairar sobre nós.
Porque é que nós nunca…?
Será para manter o idílico? (…)
- Apesar de termos querido o mesmo, a verdade é que nunca quisemos realmente o mesmo. As nossas vontades, os nossos motivos, nunca coincidiram nos vários tempos em que poderíamos tê-lo feito. E foi a nossa consciência disso que sempre nos impediu.
Bla bla bla (beija-me…)
Mas toda a nossa história, todo o nosso passado está presente na hora em que decidimos alguma coisa, ao tomarmos uma opção, ao realizarmos algo que julgamos ser de livre e ESPONTÂNEA vontade. Qual espontânea ?!?!?! é já um vicio... um hábito...
Bla bla bla (beija-me!)
- era uma curiosidade.
- era? (!?!)
- sim.
- ok... (filho da mãe!)
Espero que já a tenhas satisfeito.
- mas gostei do teu beijo.
- continua a tecer o vento, então...
- tecer o vento?
- é uma expressão de James Joyce, em Ulisses. Qualquer coisa como “O vazio espera certo todos os que tecem o vento”. (…)
- sereia bonita. metade mulher, metade peixe; metade mito…
- metade beijo...
(não sei falar sobre coisas turvas...pois as palavras que as exprimem são igualmente turvas...e quanto mais te moves, mais agitas as águas e mais turvo fica...)
- gostei disso. metade beijo, metade volúpia, metade ar…
- pois eu não gosto de deixar as coisas por metade...mas...não se pode ter tudo. e a tua metade que quero é mesmo esta. (“Here I go again on my own! Going down the only road I’ve ever known.”)
- a metade beijo?
- não...a outra metade…sem beijos. o "vir-a-ser" sem nunca o ser...e aí seres tudo.
Eu quero ser tudo. Não mais partes... fragmentos... divisão...que nos tornam informes... intocáveis...
Quero caber nuns braços...numa boca...num suspiro...
num beijo.
e ficar aí. beijo inteiro. (vou-me embora antes que me desfaça)


Sms:
[enviada]
Ps-hoje, está atento a ti. Quando daqui a alguns anos te voltares a perguntar ‘porquê?’, encontrarás a resposta no dia de hoje.



Como te disse, é nestas pequenas coisas que vamos cavando abismos a nossos pés.
PORQUÊ? Eu digo-te:


Porque ficaste a trabalhar até mais tarde. Porque eu fiquei doente. Porque apareceu alguém enquanto conversávamos. Porque havia outra pessoa na minha vida, nessa altura. Porque te acobardaste. Porque me acobardei…


Porque nunca coubemos um no outro.


6 comentários:

Carrie (ou não) disse...

"And I've made up my mind, I ain't wasting no more time."

Whitesnake

Carrie (ou não) disse...

nada que nos transcenda...
motivos não assim tão "nobres"...
Quero aprender a encontar "nobreza" e dignidade numa cabeçada na parede...no sentir-me vexada qd me "dispo" perante ti e me respondes "agora não. veste-te". estavas só a ver até onde me levavas... aos infernos!?- não... a um limbo.
A um estado de inconsciência...acordo "onde estou?", onde estive?...
looking for a view from nowhere...

Carrie (ou não) disse...

querida samantha,
obrigada por me ouvires.

Carrie (ou não) disse...

whitesnake:

http://www.youtube.com/watch?v=LF410IN1hME&feature=related

* disse...

sempre ao teu lado ***

my name is cy disse...

... estou com o meu coração apertado***