(Nietzsche a Lou):
"Como sua amizade é mirrada, ao lado da do amigo Rée! Como você é demunida de respeito, de gratidão, de piedade, de polidez, de admiração – pudor – sem falar de coisas mais elevadas. Que responderia se eu lhe perguntasse: você é corajosa? É incapaz de traição? Não tem consciência de que um homem como eu, junto de você, deve fazer grandes esforços sobre si mesmo? Eu poderia facilitar as coisas em minhas relações com você: mas já fiz muito esforço sobre mim mesmo, com relação a muitas coisas, e me acredito ainda capaz disto: lhe ser útil, mesmo se você me prejudica. Você tem em mim o melhor dos advogados, mas também o mais impenitente dos juízes. Quero que você julgue a si própria e fixe, você mesma, seu castigo. Minha cara Lou, tome cuidado! Se eu afasto você de mim agora, será uma terrível censura de todo o seu ser! Você esteve em contato com um dos homens mais indulgentes e mais bem intencionados: mas note bem que o nojo é para mim um argumento suficiente contra todos os pequenos egoístas e todos os pequenos fruidores. Sou vencido pelo nojo mais facilmente do que as pessoas o crêem. Mude de opinião, volte a você mesma! Nunca me enganei sobre ninguém: e há em você esta aspiração a um egoísmo sagrado que é uma aspiração à obediência com relação ao que há de mais alto – e você a confundiu, em razão de não sei que maldição, com seu contrário, o apetite ladrão do gato, da vida unicamente pelo amor da vida. Quem poderá ainda freqüentar você, se você solta o freio a todos os traços mesquinhos de sua natureza! Você prejudicou, você fez mal – não somente a mim mas a todos os que me amavam – esta espada está suspensa acima de sua cabeça."

1 comentário:
Lou a Nietzsche:
"Claro, como se ama um amigo
Eu te amo, vida enigmática –
Que me tenhas feito exultar ou chorar,
Que me tenhas trazido felicidade ou sofrimento,
Amo-te com toda a tua crueldade,
E se deves me aniquilar,
Eu me arrancarei de teus braços
Como alguém se arranca do seio de um amigo.
Com todas as minhas forças te aperto!
Que tuas chamas me devorem,
No fogo do combate, permite-me
Sondar mais longe teu mistério.
Ser, pensar durante milênios!
Encerra-me em teus dois braços:
Se não tens mais alegria a me ofertar
Pois bem – restam-te teus tormentos."
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