27.6.09

Diário de um Sedutor (Kierkegaard)

"Johannes

Não te chamo...meu. Compreendo perfeitamente que jamais o foste e por isso me sinto castigada com tanta dureza por me ter obstinado com essa ideia, como minha única alegria. Mas chamo-te meu, meu sedutor, meu enganador, meu inimigo, origem da minha desventura, túmulo da minha felicidade, abismo do meu infortúnio.
Chamo-te meu e considero-me tua: e todas estas palavras que antigamente acariciavam os teus sentidos ajoelhados diante de mim em adoração, hão-de soar como uma maldição para toda a eternidade.
No entanto, com isto não te deves alegrar, não imagines que, perseguindo-te em vão ou talvez armando a minha mão com um punhal, desejo fazer-te cair no ridiculo. Onde quer que vás, seguir-te-ei sendo tua, sempre e apesar de tudo; mesmo que te retires para os confins do mundo, serei tua; mesmo que ames centenas de outras mulheres, serei tua, tua até à morte. A mesma linguagem que contra ti emprego demonstra que o sou. Atreveste-te a uma grande vilania seduzindo-me, a mim um pobre ser, até ao ponto que para mim tu eras tudo, a plenitude, e eu não desejava nenhum outro gozo que ser tua escrava.
Sim, sou tua, tua, tua: sou a tua maldição.

Tua Cordélia"

1 comentário:

Carrie (ou não) disse...

de: a tua pequena

para: meu grande, grandessissimo, parvo