(...) antigamente, a intimidade não existia, fosse entre o povo ou nas elites. Na cidade como no campo, a imensa maioria das famílias vivia numa única sala, o que excluía de facto a possibilidade de qualquer forma de privacy. E a razão disso é que a privacidade não era ainda um objecto de desejo (*), nem sequer na burguesia ou na aristocracia, cujos meios económicos a tornavam possível. Através das suas análises da arquitectura das grandes casas nobres ou burguesas, Ariès demonstrou que as salas, embora numerosas, não tinham nenhuma função particular e abriam geralmente para as outras numa promiscuidade que hoje nos parece insuportável. Seria preciso esperar pelo século XVIII para se assistir ao nascimento dos corredores destinados a garantir a autonomia e o isolamento dos diferentes espaços.
(*) Cf. Shorter, op. cit., p.69: «O ambiente físico da família tradicional desencorajava toda e qualquer aspiração à intimidade. Havia demasiados rostos curiosos que fixavam os olhos na vida íntima e demasiados estranhos num incessante trânsito pela casa. A vigilância informal que a comunidade exercia era omnipresente graças à disposição do espaço e às restrições formais que as autoridades impunham ao sentimento e à inclinação, demasiado poderosas para permitir a formação de laços afectivos estreitos».
22.6.08
A arquitectura da Intimidade
Luc Ferry, O HOMEM-DEUS
Etiquetas: HistoriSexidade
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1 comentário:
e depois vieram as revistas cor-de-rosa ora exibir ora devassar intimidades para gaúdio de milhões de estranhos q se convencem ser "tu cá, tu lá" com as "celebriades" q mostram como decoram a casa no natal...
depois o big brother e uma fatia importante de bloggers (os q acham q importa partilhar onde foram no fds prolongado e outras coisas sobre a sua vida)...
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