(...) a comunidade permitia-se intervir na vida familiar de uma forma que julgaríamos inconcebível. É disso testemunho, entre muitos outros sinais, a prática do "charivari", cujo estudo é crucial para os historiadores da família. É significativo que esta estranha e ruidosa cerimónia, por meio da qual a comunidade exprimia a sua reprovação relativamente a um casal desviante, tenha sobretudo visado os maridos enganados ou espancados, já que a sua fraqueza e incapacidade para imporem a sua autoridade de chefe da família punham a comunidade em perigo. Assim, esta cerimónia opera o restabelecimento da ordem num domínio que não era ainda considerado como um assunto estritamente privado. Certas regiões associavam o "charivari" à "assuada", e o infortunado marido era passeado por toda a aldeia sentado ao contrário em cima de um burro. Um sintoma da excessiva intrusão da comunidade nos assuntos de família é o facto referido por Jean-Louis Flandrin: à falta de marido (que poderia ter fugido a tempo), içavam para o burro o vizinho mais próximo para lhe recordarem o seu dever de vigilância, e portanto a sua indirecta responsabilidade no mau comportamento dos seus concidadãos!
22.6.08
A tradição já não é o que era...
Luc Ferry, O HOMEM-DEUS
Etiquetas: e esta hein?, HistoriSexidade
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1 comentário:
já este post, vá-se lá saber porquê, lembrou-me o livro "eu, carolina"... :S
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